Política vs realidade. Sem comentários.
O Governo húngaro declarou hoje, em conferência de imprensa, que «é melhor nem sequer considerar a poluição que chegou ao Danúbio como uma verdadeira poluição, tendo em conta que os níveis de pH estão abaixo dos 9 o que, considerando (o grande) volume de água, vai ainda diluir-se mais depois de alguns quilómetros». O ministro do Interior acrescentou mesmo que o desastre «não terá dimensão para causar danos biológicos ou ambientais.» (!)
Do outro lado dos acontecimentos, a Greenpeace recolheu amostras das lamas, perto do reservatório que rebentou, e enviou-as para dois laboratórios privados para análise.
A organização alertou hoje para os efeitos duradouros deste derrame, que «contém uma mistura altamente tóxica de metais pesados». «Devemos partir do princípio que quatro mil hectares de solos estejam agora inutilizados para a agricultura», disse Herwig Schuster, químico da Greenpeace. «Achamos estranho que as autoridades húngaras não tenham informado as vítimas para os perigos das substâncias contidas nas lamas», acrescentou.
Segundo a organização ambientalista, as autoridades húngaras omitiram os valores relativos ao crómio e arsénio. De acordo com as análises, os níveis de arsénio são 2 vezes superiores ao normal. O mercúrio também está em excesso, podendo ser absorvido pelos peixes.
«Esta poluição coloca um risco a longo prazo para os lençóis freáticos e para o ecossistema», alertou a Greenpeace. Toda a vida no rio Marcal, um afluente do rio Danúbio, morreu por causa do derrame e há relatos de peixes mortos nos rios Raba e Mosoni-Danúbio, outros dois afluentes.
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